Izaú Melo

Fundador e idealizador do blog, começou a postar em dezembro de 2007, passou seis meses sem postar e agora de volta

O Blog

O blog de textos poéticos que está caminhando para o seu quarto ano e já são mais de 100.000 acessos e 2.000 comentários.

Chalil Costa

Co-fundador e responsável direto pela sua realização, escreve periodicamente.

Mostrando postagens com marcador Convidados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Convidados. Mostrar todas as postagens

É que você se foi e eu fiquei aqui


 
É que você se foi e eu fiquei aqui, assim, fora de mim, longe de mim, sem mim...sem ti. Foi o laço que se desfez ou foi a realidade que enfim se apresentou como ela é, real?
Utopia? Que fosse!
Fez bem, faz mal. Não faz mal, que faça.
Mas eu estou aqui, e sigo. Afinal, caminhar é sempre preciso, já dizia o poeta. Mas não gosto de empréstimos, prefiro dar a cara à tapa e me arriscar nas minhas próprias linhas, embora às vezes as palavras relutem em marcar o papel. O papel não quer ser ferido, nem manchado, e quem quer? Acho que as palavras entendem a folha em branco, é um ato solidário.
Mas eu não sou a tinta, nem o papel, mas sou o possuidor das palavras, e sendo elas as únicas coisas que me restam e talvez as únicas que me entendam e traduzam o que eu sinto, mancho o papel com tinta enquanto molho minha alma com lágrimas.
Mas em que tom bucólico escrevo. Estado de espírito ou sensibilidade poética? Ambas são indissociáveis. Alma e Espírito não se separam, poeta e sentimento também não. Então eu sinto, então escrevo e me derramo, desvaneço...por você. A razão de tudo, tudo por você.
Esse aspirante a poeta precisava de inspiração e sabia em quem encontrar, mas ela estava longe dele, fugidia de suas mãos, tão próxima do seu coração. Era dona de tudo.
E que brilhante invenção da mente humana o ajudou a aproximar-se (distanciar-se?) dela. A contemplação frente ao computador. Fotos, palavras, sorrisos dela... e nele saudade!
Mas ele só queria que ela soubesse o óbvio, o que todos os dias tem sido ratificado. Esse amor de menino homem que ele nutre dentro de si, o qual não se dá o direito de desvanecer, contempla agora mais uma vez o computador, a tela cheia dela, mais uma vez o sorriso. O poeta chega-se a ele de novo, o toma, mas só consegue dizer uma coisa: TE AMO...e se vai!

TRAGÉDIA E SONHO


Lá vai um homem que sonhava Cheio de ideais, 
voando para a história, 
Encerrando os olhos verdes de esperança 
Exalando fumaça e querosene 
entre escombros úmidos. 

Ainda que no silêncio da dor e da incompreensão, 
As pessoas enxerguem apenas a tragédia, 
Tragédia, mesmo, seria não sonhar.

Dilson Ornelas

Fragmentar


Um dia,
Me guardaste em teu ventre.
Lá estive protegida.
Me deste o abrigo,
A luz e a vida...
Mas quando em teus braços,
Contra mim tramaste
Dolorosa despedida.
Me negaste o seio
E o toque silencioso da palma
Da tua mão na minha
Me negaste aquilo
De que é feita a alma.
Por ti fui esquecida.
Sem ti me fiz pedaço,
Tornei-me pétala caída
Que entre as folhas do outono
Pelo vento foi varrida.
Ah flor da minha vida, perdida
Vagaste pelo mundo
Em tortuosos caminhos
Me deixaste a lamentar,
Acolhida em outros braços,
A ausência dos teus carinhos.
Soube da tua triste sorte
Ouvi falar a tua história
Mulher oprimida, vida sofrida..
Nada disso te absolve!
O meu perdão não te elevou à glória.
Hoje, o teu semblante
Já não encontro na memória.
E agora é tarde...
Reconheço em mim o teu pecado:
Ser incapaz de dar
Aquilo que me foi negado.

Nirleia Lima

Uma breve apresentação


Eu sou...
a noite que vira dia...
as cordas da teoria...
a solução que do paralelo vigia...
a música, a pintura, a poesia...
Eu sou...
o cipó que a folha remedia...
as gotas que adoçaria...
o despertar de quem não via...
a paz, o amor, a ousadia...
Eu sou...
o oriente e sua magia...
o misto de culturas que engrandeceria...
a veia natural da terra que remexia...
o mistério, a lua, a astronomia....
Eu sou...
o átomo que não dividia...
a partícula que se esvazia...
a mente que expandia...
o universo, a imensidão, a melodia...
Eu sou...
a ciência que não entendia...
a dúvida que não respondia...
o triângulo que tudo sumia...
o calor, o frio, a energia...
Eu sou...
a lágrima que escorria...
da ditadura a rebeldia...
o olhar que se surpreendia...
o sol, a areia, a maresia...
Eu sou...
a coragem da alegria...
a arte que tudo traduzia...
a angústia de quem existia...
a intuição, o pensamento, a sintonia...
Eu sou...
o alternativo que flosrecia...
a fé que se escondia...
a busca que fortalecia...
o crescer, a ferida, a harmonia...
Eu sou...
o grito da mata que diminuia...
parte da água que se poluia...
o avesso do que se via...
o sonho, a sorte, a fantasia...
Eu sou...
o que nunca se mostraria...
a logica que a consciência pretendia...
a transformação da psicologia...
a vontade, a esperança, a primazia...
Eu sou...
a flexibilidade que permitia...
a brisa que o canto prometia...
o fluir que relaxaria...
o horizonte, a leveza, a moradia...
Eu sou...
o som que dançaria...
a observação que não entedia...
a natureza que tudo movia...
o logos, o cosmos, o que nunca seria...
Eu sou...
a flor na artilharia...
a alma que estremecia...
o questionar que libertaria...
a nuvem, a cor, a melancolia...
Eu sou...
a manhã que irradia...
a luz que ilumina e desvia...
sou todo tipo de filosofia...
o grão, o macro, o que aqui não caberia...

Janaina Bogucheski

Versos perdidos


Eu quis escrever, mas não pude. Eu quis te dizer tantas coisas e não fui capaz de pronunciar nem meia dúzia de palavras banais. Ouvi distraidamente as tuas histórias. Entendi, enfim, aquela frase meio clichê que diz que em alguns momentos da vida as palavras são desnecessárias. Cheguei à conclusão de que toda aquela explicação, nas aulas de português, sobre o que é abstrato, tornou-se perfeitamente descartável. O abstrato é inteiramente concreto. Concreto em gestos, beijos, abraços, suor, suspiros e gemidos... O sentimento é palpável, tangível, audível, visível a olho nu. Tem o doce sabor dos teus lábios, a suave melodia da tua voz e o calor da tua pele. Esse sentimento, impossível de se dizer em palavras, tem sorriso, às vezes largo, às vezes torto, cabelos desalinhados, uma barba bem feita, e nenhuma poesia no mundo faz mais sentido do que a poesia que é estar perto de ti. Olhos nos olhos, mãos que se tocam e meus pés sobre os teus. Cheios de uma intimidade repentina, leve, despreocupada e bem humorada. Amigos e amantes na mesma medida. É bem verdade que eu estremeci quando tu disseste “- isso aqui é de verdade”, e quase deixei que uma lágrima se perdesse face abaixo, não sei se por medo ou dúvida. Nesse exato momento tento justificar a minha covardia, repetindo mentalmente que é natural temer aquilo que desconhecemos. Agora que estamos distantes, tudo que eu queria era ouvir aquela palavra “amor” que tu disseste outro dia – pela primeira e única vez - meio sem querer. Queria te ouvir dizer novamente que o que aconteceu entre nós é de verdade ainda, e queria poder acreditar nessa verdade, que nunca, nem por um momento questionamos com palavras ou atitudes; mas que por todos aqueles motivos que eu conheço e tu também, fica difícil acreditar... Ontem choveu e eu pensei nas palavras não ditas, pensei que talvez elas pudessem mudar o rumo da nossa história, mas não, eu sei que não, foi apenas uma centelha de esperança que fez meu coração disparar por uns breves segundos, um coração já meio partido. Uma história assim, sem meio e sem fim... Pensando bem, nem foi uma despedida de verdade, pois não dissemos adeus. Eu, porque fui covarde, e tu, por não saber que era uma despedida. O sentimento é apenas abstrato outra vez, inalcançável, intangível... Um sentimento que nem por isso deixa de ser grande, gigante aqui dentro de mim - embora constate que mais uma vez esqueci teu rosto - e eu posso ainda respirá-lo enquanto sinto a saudade oxigenando meus pulmões com vida e dor, e dessa vez, só dessa vez, enquanto escrevo, eu permiti que aquela lágrima se perdesse.

Nirléia Lima

Chuva de Agosto


Desejo paz...
A paz perdida no último beijo, no abraço partido, no sorriso de adeus, no último olhar...
Desejo a paz inquieta das noites frias de outono enquanto o meu sono dormia em você.
A mesma paz dos corpos que se aqueciam e das mãos unidas enquanto dormiam.
Desejo aquela paz de uma manhã de quinta-feira, sem relógio, sem pressa, sem fome, sem saudade...
Desejo a paz das longas conversas, do riso incontido, a paz da certeza.
A paz ausente na espera...
Desejo a paz das cartas de amor, dos versos simples e do silêncio que não precisa ser interpretado.
Desejo paz...

A mesma paz agitada dos fogos de artifício, da “quase dança no momento do beijo”, da contradança que vem depois.

A paz nervosa e insegura dos olhares, dos sorrisos, dos abraços, do primeiro encontro.
Desejo a paz da verdade que encontrei em você!
Aquela paz disparando o coração cada vez que ouço tua voz.
Desejo urgentemente a paz de uma amizade sem paixão, sem espera, sem planos, nem promessas....
A paz das lembranças que não se apagam com o tempo, mas vem a chuva e desfaz.
Desejo qualquer paz, impossível, nessa saudade que eu sinto de você!
Desejo a paz de um lugar, quem sabe um pensar, aonde o sonho te levar, uma felicidade qualquer, um futuro, um estar... em Marcapata, talvez!

Latidos


A canoa que hoje remo com sacrifício já foi meu barco de diversão.
Nos fins de ano os belos fogos de artifícios, antes meu encanto, agora abalam meu coração.
E a bela moça com quem sonhei ter belos filhos, escolheu outro e outros filhos e eu fiquei sem atenção.
E tantas moças e tantos vícios que amei mais que amor de filho e o amor por mim perdi então.
E perdi tanto que perder perdeu sentido e quando estava no vazio eu escutei meu coração.
Já cansado, mas destemido meu coração me disse "amigo quem teme a vida nem precisa temer a morte, pois ainda que pareça forte és morto-vivo vivendo em vão."
Então minha canoa mudou e se fez barco a motor.
Meu coração com os fogos nunca mais se abalou.
E outra moça com quem sonhei, dessa vez me olhou.
Perdi a rima, mas recuperei o amor próprio.
Perdi o medo da vida e voltei a andar sóbrio.
Perdi o medo da morte e ganhei a imensidão.
Pois a vida bem vivida vem da voz dos latidos do coração.


Marcelo Siqueira

A maior tragédia de nossas vidas


Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul.
Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

Fabrício Carpinejar

Sol negro

 
Luz da paixão, minha vida
Plenitude, em teus abraços
Tantas mil vezes colorida.
Coração da minha alma
Sagrada fonte, inspiração!
Canção doce que me acalma
É tudo que ultrapassa a perfeição.
Destino único que desejo,
Fim de todas as minhas vidas.
Eterno amor –um lampejo!
E a cada dia que não te vejo
Que não te toco e não te beijo
Princípio e fim, tudo é igual.
Num deserto em multidão
Só vejo a cor de um temporal.
Entre a distância e a saudade
Um imenso abismo sideral.
Se foi destino ou maldição
De toda a vida que me deste
Restou-me a alma
Mas a deixaste sem coração.
Além do sol, onde me encontro
Apenas sombra e solidão!


Nirléia Lima

Quando fui tocada pela luz do sol


Nos encontramos
Em um espaço,
Onde o agora, é tarde demais.
Nos encontramos
Em um tempo,                                           
Que não nos pertenceu jamais.
'Eis o que somos:
Um sonho', nada mais!                
Já não temos data,
Não temos hora
E sendo assim,
Eu vou embora.
Porque viver sem te ter,
É estar perdido em um só lugar,
É ter tudo e não ter ar,
É dormir sem nunca sonhar.
E sendo assim,
Não me peça pra ficar.
Porque viver sem te ter,
É todo dia viver
Em um quase morrer devagar...

Nirléia Lima

Leve e (I)Mortal


Hoje, quero guardar-te nas estrelas.
Te contemplar do anoitecer à alvorada,
Na imensidão do firmamento te abraçar
Para em ti, enfim, me sentir amada.
Hoje, quero guardar-te em uma canção.
Mesmo que a história não caiba em um só refrão,
Quero flutuar na melodia, quero cantar o nosso amor
Que até distante é tão sublime, que é quase doce a solidão.
Hoje, quero guardar-te na brisa, na água, no ar.
E quando o vento soprar, quando a chuva cair,
Toda e cada vez que eu olhar o mar...
Nesse instante infinito, sentirei tua boca me tocar.
Hoje quero guardar-te em um poema.
Que cada vez que seja lido, ouvido, declamado...
Possam sorrir com teu sorriso, olhar teus olhos, ouvir tua voz,
Sentir o teu perfume, seguir teus passos...
E assim, em outros corações, por um momento tu serás amado!
Na certeza de que o amor que à ti dedico,
(Tão leve quanto as canções, tão imortal quanto os poemas)
Estará, na efêmera eternidade, em minha alma guardado.

Nirleia Lima

Parece amor

Eu ouço tua voz, teu riso, tua respiração.
Ecoam perdidos em qualquer direção.
Eu sinto os teus olhos e o teu olhar,
Estão em toda parte, em todo lugar.
Mas sei que não me ouves,
Que não me olhas, que não estás.
Te vejo ao longe, distante...
Mas se você não espera,
Eu já não posso alcançar.
Se me entristeço,
Tenho vontade de gritar!
Então sinto teu cheiro, sinto tua boca,
Mas se abro os olhos percebo:
É apenas a brisa a me tocar.
Mas se eu quero, e eu quero, eu espero...
Se você não vem,
Se a tua ausência dói, eu choro!
Eu não me importo, eu não imploro,
Vai ficar tudo bem...
Porque se eu te preciso, e eu preciso!
Eu fecho os olhos e adormeço,
Sei que nos meus sonhos posso te encontrar.
É todo o meu mundo, é um recomeço.
Porque a tua voz é a minha canção,
O teu corpo é a minha alma,
E são teus olhos a minha própria razão.
Lá longe eu te vejo, eu te sinto...
Ouço tua voz, teu riso, tua respiração.
E assim, entre o sem fim e a eternidade,
Todo dia, toda noite,
Entre a loucura e a verdade
Eu te procuro pela rua, eu saio louca e toda nua...
Porque eu preciso me encontrar,
Porque é em mim, na minha própria existência que você está.

Primavera


Que seja a sua poesia,
A sua música, a sua luz.
Que seja a sua paz,
O seu sossego, a sua calma.
Que seja a sua aurora, o seu crepúsculo,
A sua estrela da vida inteira. 
Que seja o seu reflexo no espelho,
O seu bom dia todas as manhãs.
Que te traga os sonhos do verão,
A brisa do outono,
O abraço quente do inverno.
Que tenha doçura, encantamento...
Misteriosa primavera!
Que você a encontre - simples e bela.
Que esteja à tua espera.
Que tenha pureza.
Que seja verdade!
Que seja apenas felicidade. 


Mude de Direção!


Não foi o melhor dos beijos que eu já beijei.
mas é a boca que eu mais sinto falta.
Não foi a pessoa mais carinhosa com quem eu já fiquei,
mas era em seus braços que eu gostava de ficar.
Não foram as melhores lembraças de uma adolescência,
mas aqueles são os momentos que eu gostaria de repetir.
E dessa vez, eu faria tudo diferente.
Saudosismo?
Quem sabe, então por que não fazer tudo a partir de hoje exatamente como gostaria de ter feito no passado?
Mude a direção.
Sempre teremos escolhas.

Otis Keener

A institucionalização da balsa - O pão e o circo de Vagner Sales

No episódio da balsa protagonizado pelo próprio prefeito, Vagner Sales mostra o melhor de sua política: Pão e Circo para a alegria da multidão. 

Começou mal. Para quem disse em seu discurso de vitória que iria ser o prefeito não apenas daqueles que o elegeram, mas de todos os cruzeirenses, Vagner Sales mais uma vez mostrou do que realmente é feito: pura arrogância e prepotência.

A “Balsa” é uma tradição bonita e divertida. Faz parte do nosso folclore de manifestações populares e de nossa história. Mas ao “institucionalizar” a “balsa”, Vagner Sales lança um “mau presságio” sobre Cruzeiro do Sul: a de que não poderemos esperar por respeito aos ideais democráticos nestes quatro anos vindouros e que o que deverá predominar será o seu espírito rancoroso e perseguidor.

A democracia que Vagner diz defender é tão somente uma balela para justificar sua falta de ideias. Não passa de um farrapo de uma “bandeira” cuja única serventia é esconder a sua maior vergonha: a sua incapacidade de administrar Cruzeiro do Sul como uma cidade e não como um apinhado de seringais e ramais que precisam de seus favores para sobreviver. Vagner perdeu em um conjunto importante do eleitorado. E perdeu feio. Talvez por isso, em muitas ruas do centro, o sentimento fosse de luto, e não de vitória.

Entre pequenos e médios empresários, trabalhadores autônomos, empregados com carteira assinada e estudantes, Henrique obteve aproximadamente 75% dos votos. Com sua pantomima, Vagner despreza os setores mais capazes de promover o desenvolvimento da cidade.

Dois mil e duzentos votos suados o separaram da “balsa” lançada por ele da mesma ponte que anos antes cometeu a bravata de dizer que “se ficasse pronta desfilaria de saia”. Mais uma promessa não cumprida que entrará para a história, assim como o ramal que prometeu “asfaltar com gala”.

Muito pouco para quem há um ano menosprezava seus adversários dizendo que iria colocar o seu motorista, o “Pimpolho” para concorrer.

Por esta razão dá para entender o sentimento de desforra de Vagner. Sente-se aliviado por conseguir uma reeleição “ralada”. Não fosse a ação desastrosa de setores fisiológicos e por que não dizer “patológicos” da FPA, e a balsa seria outra.

Vamos aos números: os dezoito mil votos de Vagner lhe garantem a legitimidade para governar Cruzeiro do Sul, mas está muito longe de ser a unanimidade anunciada pelo seu bem-pago colunista da capital.

Os mais de dezesseis mil votos obtidos por Henrique Afonso e as outras mais de onze mil abstenções representam mais da metade do eleitorado que por razões diversas, não referendou o mandatário. É em cima da cidadania destes vinte e sete mil eleitores que Vagner tripudia ao trocar o papel de representante do município pelo de bufão de sua própria corte.

Esperava mais de Vagner. Em muitos momentos da campanha demonstrou grandeza por saber aceitar críticas, uma qualidade esquecida por muitos dos que hoje se encontram em seu campo adversário.

No entanto, passado o susto, Vagner revela agora sua verdadeira natureza, mostrando que o papel de vítima não passou de um bem ensaiado jogo de cena e volta agora a interpretar o seu papel preferido: a do coronel de barranco que trata servidores, cidadãos e eleitores como peões de sua fazenda.

É uma questão de tempo para que muitos dos que hoje comemoram ao seu lado a sua vitória, lamentem não ter embarcado naquela “linda balsa laranja”.

O Circo de Vagner e o Espetáculo da Balsa


Na institucionalização da famosa balsa, há claramente o sentimento de deboche e desrespeito expressado pelo Coronel de Barranco em relação aos 30.888 cruzeirenses (votantes no outro projeto de governo, abstenções, votos brancos e nulos) que discordam de seu modelo coronelista de fazer política; e ainda dos 18.840 que lhe elegeram, mas que em sua maioria não concorda com a maneira desrespeitosa com que ele tratou seus adversários políticos no período pós-eleição por meio do circo da Balsa.
O enredo protagonizado pelo coronel de barranco se passa principalmente nos cenários rurais e carentes, típicos do coronelismo, no qual ele se coloca, muitas vezes, como vítima de seu próprio circo criado e interpretado durante quatro anos e onde a maioria da população, desfavorecida, ainda vive o curral eleitoral assistencialista, que hoje não utiliza a força bruta como antigamente, mas mantem o mínimo para conseguir o mínimo.
A grande parcela da população que acreditou no enredo do 15 faz parte dos setores menos favorecidos, ou que dependem diretamente de apadrinhamentos e assistencialismo do regime político estabelecido na capital do Juruá.
Com todo o circo montado pelo coronel - com a balsa - menosprezou-se a opinião e o respeito por grande parcela da população, aqueles que representam a fatia de intelectuais, jovens, críticos, que lutam por mudanças, não esquece dos desmandos, da ficha suja e não se deixa influenciar pelos favores do circo montado a pão e apadrinhamento, mas acredita em outros ideais para nossa cidade.
 Vivemos numa democracia e isso precisa, ou deveria ser respeitado. Se não concordo com um modelo ideológico manipulador - com um circo - não sou obrigado a ser conivente. Se uma grande parcela da população não concorda com o modelo aí estabelecido, claro que essa parcela mostra seu desagrado por meio do voto, e isso merece ser respeitado; era para servir como crítica construtiva e o prefeito deveria refletir sobre isso para, em outra oportunidade, tentar acertar o que errou.
Infelizmente a população tem memória curta e já esqueceu os aumentos do IPTU, os impostos absurdos, os processos por improbidade, o asfaltamento da fazenda e inúmeros outros casos típicos do coronelismo.
Agora já não cabe mais refrescar a memoria. A população tem o governante que merece, pois o escolheu. Como um menino mal comportado que recebe a devida correção, assim também é o público que elege seu mau governante, afinal de contas, a pena é de quatro anos para refletir sobre o mau comportamento. Isso passa rápido.

Sobre o mundo e sobre o meu mundo.

*A exatidão é sempre imprecisa.
*Microscópio não alcança pensamento.
*Dois terços do amor estão na mulher.
*Monumentos grandiosos são explicados por equações mínimas.
*O mar não tem diminutivo.
*Tem gente que é como balão: lindo por fora, mas cheio de ar.
*Não há ciência que estude seriamente o riso.
*O homem inventou fórmulas e gráficos complicadíssimos para “explicar” a simplicidade das coisas.
*O amor é uma doença.
*Somos salvos pelo coração.
*Somos condenados pelo coração.
*Idéias desconfortáveis reinventam monotonia.
*O mundo não muda. As pessoas mudam. E livros têm o poder de mudar as pessoas.
*Canetinhas de cheiro sempre soltam tinta demais.
*Muitas vezes os outros só têm a importância que nós lhes damos.
*Necessitando de um CTRL + ALT + DEL na minha vida. Ou formatação urgente.
*O oposto do amor é a indiferença e não o ódio.
*Sabe a clássica pergunta: Qual o sentido da vida? Não tem resposta.
*Um abraço vale mais que mil palavras.
*Estou entediada dessas máscaras e rótulos que disfarçam, criando uma perspectiva insana.
*O mundo não é seu mordomo.
*Telescópios não alcançam nem a sua alma.
*Esperança é uma dádiva e uma maldição.
*Escrever não é mais inteligente que resolver uma equação.
*Devemos amar a vida como se ela fosse um castigo.
*Diferença entre matemática e escrita: Matemática possui uma possibilidade de muitos acertos. Escrita possibilidade de muitos errar. ( errar de erro e errar de errante).
*Quando você cai muito tem medo do chão.
*Os relógios são a decoração doméstica da angústia.
*Anos e anos se amontoam como nuvens... de poeira.
*As pessoas dizem que às vezes, você tem que ousar e se permitir a errar, mas vai errar sempre, pra ver o que acontece!
*Deus escreve direito e nos somos as linhas tortas.
*O poeta nunca sabe onde sua voz termina.
*Poesia pequena é melhor que poesia nenhuma.
*Os mortos não tomam chá.
*Expressar gestos faz toda a diferença!
*Nenhuma lâmina corta mais que a do domingo.
*Ninguém liga pra teus sapatos se ainda tens pés.
*Quem ama não vê defeitos!
*Quem odeia não ver qualidades!
*Amigo vê defeitos e qualidades e mesmo assim te ama!
*Pessoas perfeitas só existem em dois lugares, no cemitério e no currilum vitae.
*Ninguém passa pela vida sem arranhões e cicatrizes, então, ame-as.
*Não finalizar o livro é amor.
*Einstein era disléxico. E foi o homem mais inteligente do século XX.
*Quando sou triste com você... Descobri que ainda sou imensamente feliz.
*Nossas vidas serão eternamente duas: não teremos jardim, nem horta para adornar a casa que nunca teremos.
*Che Guevara era argentino e não cubano.
*O amor deve saber sublimar.
*Algumas coisas não passam, só dão lugar a coisas novas, e as antigas, ficam em algum lugar escondidinhas, esperando vir à tona!
*Cartas de amor são as mais ridículas coisas que lotam a obra afetiva e um dia nos matam de vergonha.
* Voar jamais havia sido um privilegio.
*É inútil tentar curar a perda de um grande amor. O que torna esse amor tão grande é justamente o fato de não ter cura.
*Sempre carrego um sorriso besta na cara.
*Estrelas cadentes são pequenas rochas amputadas de astros mortos.
*Marx não era marxista.
*O corretor de palavras do Word nem sempre está certo.
*Algumas borboletas nunca voltam ao jardim.
*Muito embora eu tenha trancando meu coração, meu amor continua florescendo e isso me dá uma raiva danada.

[Lia Araújo]

Primeiro texto que li de uma blogueira maravilhosa que hoje eu tenho o prazer de chamar de amiga, e está tardiamente aqui no textos e texticulos, recomendo muito que acessem: Amar-te-ei até o tédio. 

O ano em que a primavera não floresceu



Tive medo de escrever à Catarina sobre o meu dilatado amor por suas flores no cabelo e seu cheiro de primavera. Indecisão por falta de conhecimento das reais intenções afetivas dela à minha pessoa. Menina faceira com cara de anjo e corpo de mulher que arrancou, por muitas estações seguidas, a minha volúpia em silêncio. Ternura em olhos artesanalmente fabricados e postos em uma face esculpida aos longos dos dezenove anos que lhe cobriam a pele com a beleza da juventude recém-chegada.

Ainda sem saber como conduzir o prenúncio de amor, esperei as noites correrem pelo céu até que viesse à mente qualquer ideia de revelação. Era novembro corrente, já pela metade do mês, quando resolvi finalmente dar vazão às prescrições românticas e investir naquele calor brotado do peito. Poderia ser apenas mais uma loucura a ser cometida por este já feito homem de trinta e dois anos, mas a demora por uma resposta espremia sem dó meu coração. Queria saber o que havia por debaixo daqueles cabelos cacheados feito uvas maduras, e não tinha mais alternativa para fiar.

Com passos abertos sobre as pedras úmidas de amanhecer da Rua Direita, segui pelo centro antigo da cidade até a Praça Central, onde poderia comprar rosas e lhe entregar com um escrito, no qual declararia toda a minha paixão. Talvez essa fosse também uma boa maneira de conquistá-la. Diante de sua porta, respirei fundo e toquei a campana. O som do instrumento me fez estremecer. Não havia mais volta. Os instantes seguintes podem ser comparados a séculos, de tão grande o tomento em minhas veias. Se a Catarina me amasse seria um homem mais feliz que pássaro em árvore fruteira.

Passou-se um minuto e não obtive resposta. A porta continuava cerrada e não se ouvia barulho algum de dentro da casa. Toquei novamente a campainha e aguardei ansiosamente por qualquer manifestação de vida. Cinco minutos sem retorno. Sentei-me no meio-fio e esperei por ela. Meia hora debaixo do sol, que acordou com vontade de se mostrar naquele domingo. Uma senhora idosa, que vivia ali por perto, ao ver meu desapontamento, aproximou-se e comentou, quase como se soubesse da minha procura, “a Catarina fugiu com um moço d’outro estado e a mãe está em viagem, senhor”.

A angústia em meu peito subitamente transformou-se em ódio. Aquela espevitada garota que me tirou o sono não tinha o direito de fazer-me de bobo. Joguei o buquê no chão e fui embora, ainda sem saber como reagir à notícia. Com o corpo a arder em rancor, segui até o bar mais próximo e comecei a beber. Afoguei toda a raiva em copos solitários de tristeza e álcool. Lembro-me agora de só ter acordado no dia seguinte, com a mesma roupa de antes, sem saber o que mais aconteceu. Novembro havia de passar, com seu cheiro de amor e velório, e o verão trar-me-ia, quem sabe, outra ternura pra distrair meus pensamentos. Não sei explicar, mas a primavera sempre me faz recordar Catarina, apesar de os tempos passarem e outras flores aparecerem em minha vida.

Milson Veloso

Achismo melancólico à vista


Penso em mandar cartas, em falar na cara, em soltar suspiros, em ficar sozinha com as lágrimas... Algumas delas são suas, outras são minhas. Talvez eu chore ambas.
Penso em mandar cartas - aquelas que eu nunca entreguei -, em escrever sobre o que fomos, o que somos, o que teríamos sido. E sobre o medo do que seremos. Tão clichê. Porque fomos de verdade.
Penso em mandar cartas, falando de amor. Ou de saudade. Talvez eu sinta ambos.
Penso em mandar cartas que não terão resposta. Que falem de lembranças, que arranquem sorrisos, que levem o vigésimo beijo de adeus para a mesma boca. E que ainda não seja o último.

Autora: Anna Deyse

PEDAÇOS DE MIM


Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante

Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
[...]

Martha Medeiros