O que será que está acontecendo?
Porque eu vim até aqui?
perdemos o bom senso e a noção de rebanho
nossos valores estão invertidos
nos tornamos escravo dos objetos, das multi-marcas
nos preocupamos mais em ter dois pra si do que ter um por ter compartilhado com o que não tem nenhum.
O mercado é o símbolo da futilidade e banalidade do homem moderno
lá todos desejamos as mesmas coisas
lá todos somos iguais
Passamos de dominador para dominados
A roupa deixou de ser um instrumento para proteger o corpo
e se tornou um objeto de adoração, de identidade e de valor agregado
Não se enxerga mais a beleza interior
porque passamos a valer o que vestimos, o que usamos, o que temos
A marca se tornou uma desgraça incompreensível, onde uma camiseta de algodão chega a valer o mesmo que cinquenta camisetas do mesmo algodão
tudo isso pra atender a sádica necessidade que temos de sermos em algo melhor que os demais
Nós demos poder ao dinheiro e agora não sabemos como tomar dele
O dinheiro nos passa uma falsa sensação de poder e liberdade
Mas ele nos escravizou, roubou as melhores horas do nosso dia
roubou o tempo que era da familia, do ócio, do riso
A riqueza enclausura, mente, nos torna cervos, cegos sem poder de reação
Um pedaço de papel que apenas tem valor porque decidimos lhes dar
É por ele que estudamos boa parte da vida
É por ele que vamos trabalhar mais uma hora, mais um feriado, talvez fazer um cerão.
É por ele que nos corrompemos
É por ele que o homem mente, rouba e até mata
É por ele que estamos disposto a fazer quase ou tudo
Entenda que trabalhar o suficiente para manter-se dignamente é necessário
Mas que tudo além disso é prostituição
Afinal nos vendemos para pagar nossos luxos
Triste é pensar que a natureza fala e que a espécie humana não escuta
Que estamos dizimando a natureza e os animais em troca de mais um par de sapatos, mais um relógio, mais uma bolsa de coro fino, a moto ou o carro do ano
E estamos dormentes para isso
Porque somos fracos demais para pensar fora disso
Evite o consumismo
experimente não trocar o celular sempre que sair um mais moderno,
Experimente não comprar o que você não tem absoluta certeza de que precisa
Experimente se desfazer das peças do guarda-roupas que você já não usa e doá-las
Experiemente não usar seu cartão, não comprar no crediário, não tomar emprestado
Arrisque-se a uma vida alternativa, sem inveja, sem fetiches mercadológicos
Aprenda a dizer não para o marketing e a propaganda…
Tente sair da rota da moda e da tecnologia de ponta
desse desejo mórbido que te afronta
Desligue a TV, leia um livro, saia para passear, afague um cachorro, visite um amigo, um parente, dê atenção a um velho, escreva uns versos
Cante uma música do 14 bis*
experimente ser feliz…
Izaú Melo
*Mais uma vez - 14 bis
