Izaú Melo

Fundador e idealizador do blog, começou a postar em dezembro de 2007, passou seis meses sem postar e agora de volta

O Blog

O blog de textos poéticos que está caminhando para o seu quarto ano e já são mais de 100.000 acessos e 2.000 comentários.

Chalil Costa

Co-fundador e responsável direto pela sua realização, escreve periodicamente.

Definições pessoais sobre a Arte e o Amor...



Me perguntaram o que eu entendo por arte...
Arte é um sentido
Algo que não precisamos compreender para amar.
A mentira verdadeira
O engano necessário
A sensação de liberdade de despencar de um penhasco e nunca tocar o chão
É o vôo da imaginação rumo a insustentável leveza do ser.
O que realmente nos difere dos demais animais não é a capacidade de raciocinar, mas sim o produzir e o consumir arte.
Não existe maneira mais segura de fugir do mundo do que a arte
Ela nasce da imparcialidade, da falta de reciprocidade, do incomodo, da insatisfação, da solidão
e faz de tudo isso, a breve estada no paraíso,
Arte é o belo, a Pasárgada, o parnaso, o agradável, o orgasmo, o que nos arrebata e nos leva ao nirvana, ao êxtase, ao estado de Buda.
Arte é o prazer que nos excita, a paixão, o comer o beber, o amor fazer.
E eu estou bobo
Não foi a arte impregnada nas sete maravilhas do mundo
Não foi a paleta natural do arco-íris
Não foi o vale sagrado dos incas
Foi o teu sorriso
O teu olhar
Que mágica há?
Porque, maldição, eu não consigo interpretar?
O teu sorriso me frustra...
Não consigo expressar
Penso nas melhores músicas
Nos grandes clássicos cinematográficos
No rico legado das pinturas e esculturas imortalizadas
Nos grandes espetáculos teatrais
Nos mais incríveis romances que descansam nos livros literários
A essência do ser humano está aqui
A arte não produz guerra, não instiga o capitalismo
Não provocou a desigualdade, o pré-conceito, o genocídio
Os túmulos guardam grandes artistas, que vieram ao mundo emprestado
Para dar um pouco de colorido ao cinza do qual o homem usou pra pintar o mundo
A arte é um culto a beleza
E a beleza é a manifestação das leis secretas da natureza
É o estimulo maior para a vida
Eu não mereço a minha sensibilidade
Olho pra ti e não sei o que dizer
De repente, arte é o silencio, de fora pra dentro
Penso em uma gota do oceano
Em um grão de areia na praia do mar
Em uma nuvem que foi pra longe
No sol sepultado na linha do horizonte
E percebo que a arte está nos detalhes
Como os melhores perfumes nos menores frascos
E te vejo como um detalhe
Um capricho da natureza
Um vaso de porcelana preferido, moldado com o maior carinho pelo melhor oleiro.
Havia amor, quando o jardineiro te plantou
O maior ourives olhou pra você e viu que esse foi o seu melhor trabalho
Não tenho dinheiro, nem fama, muito menos poder
Todavia sou o mais realizado dos homens porque tenho sensibilidade
Sensibilidade para ver o que realmente há em você
Não importa se passo horas tentando decifrar esse enigma
Se levarei a vida tentando entender a arquitetura engenhosa que se fez pra construir você
Sei que sua beleza despensa teorias, argumentos e projeções
Mas eu preciso entender
Por que agreguei você a tudo o que me cativa
Porque o seu nome está no meu dicionário dando significado a palavra razão.
Sentido, estímulos, motivações
Enfim,
Falei de tantas coisas e não disse nada
Há um tom de desnecessário nas minhas palavras
Você existe e isso basta
A arte foi, de fato, concretizada
E vejo verdade no que outrora era mito.
Que a arte, ao te conhecer, ganha tradução e sentido.

Izaú Melo

É que você se foi e eu fiquei aqui


 
É que você se foi e eu fiquei aqui, assim, fora de mim, longe de mim, sem mim...sem ti. Foi o laço que se desfez ou foi a realidade que enfim se apresentou como ela é, real?
Utopia? Que fosse!
Fez bem, faz mal. Não faz mal, que faça.
Mas eu estou aqui, e sigo. Afinal, caminhar é sempre preciso, já dizia o poeta. Mas não gosto de empréstimos, prefiro dar a cara à tapa e me arriscar nas minhas próprias linhas, embora às vezes as palavras relutem em marcar o papel. O papel não quer ser ferido, nem manchado, e quem quer? Acho que as palavras entendem a folha em branco, é um ato solidário.
Mas eu não sou a tinta, nem o papel, mas sou o possuidor das palavras, e sendo elas as únicas coisas que me restam e talvez as únicas que me entendam e traduzam o que eu sinto, mancho o papel com tinta enquanto molho minha alma com lágrimas.
Mas em que tom bucólico escrevo. Estado de espírito ou sensibilidade poética? Ambas são indissociáveis. Alma e Espírito não se separam, poeta e sentimento também não. Então eu sinto, então escrevo e me derramo, desvaneço...por você. A razão de tudo, tudo por você.
Esse aspirante a poeta precisava de inspiração e sabia em quem encontrar, mas ela estava longe dele, fugidia de suas mãos, tão próxima do seu coração. Era dona de tudo.
E que brilhante invenção da mente humana o ajudou a aproximar-se (distanciar-se?) dela. A contemplação frente ao computador. Fotos, palavras, sorrisos dela... e nele saudade!
Mas ele só queria que ela soubesse o óbvio, o que todos os dias tem sido ratificado. Esse amor de menino homem que ele nutre dentro de si, o qual não se dá o direito de desvanecer, contempla agora mais uma vez o computador, a tela cheia dela, mais uma vez o sorriso. O poeta chega-se a ele de novo, o toma, mas só consegue dizer uma coisa: TE AMO...e se vai!

Revelações


Me sentirei realizado quando puder emprestar minha poesia à dor cotidiana das muitas faces de mim mesmo
Quando conseguir dar voz a parte de mim que a vida fez silente.
Quero retocar a fala como quem concede novas cores ao preto e branco da monotonia dos dias.

Quero brincar com as palavras em estado de infância, na gangorra e no escorregador.
Onde eu faça do fantástico um chão de lua
e inusitadamente consiga recolorir o aco iris e devolver o rubro aos lábios solitários, devolver o amor pra quem a vida levou...

Quero fazer com que as pedras pareção clarão e com que as lágrimas ganhem contornos de oceano.
Saber onde a minha alma se esconde e se acoberta e ao que se desnuda. Que eu descreva a paz que me inunda

Que me tira da terra e que a terra me trás 
Quando do voo ao pouso
E do repouso ao osso
E do osso ao pó do pó da terra

Pra nutrir a arvore
Pra se banhar na chuva
E ao entardecer na curva
Que a vida me aprás
Em um momento fugaz
Luzes, sons, cheiros e sabor 

Parto sem dor
De onde vim é pra onde vou... 



Izaú Melo