
Oi! Já são quase uma e trinta da manhã,
E a essa hora só os loucos e os que sofrem permanecem acordados
Há mais de vinte minutos que tento pensar em uma boa introdução
E só consegui escrever esse "Oi" sobrecarregado de banalidades
Faço um esforço muito grande para manter você viva dentro de mim
Afinal já se passaram quase dois anos
E a distância e o tempo se encarregam de apagar tudo
Afinal, o que é efêmero passa e o que deveria ser pra sempre também
Percebo que já não tenho mais tanto prazer em te escrever
Como sinto que você também já não sente tanto prazer em ler o que faço
Houve um desgaste sentimental... uma certa indiferença
Talvez o tempo... talvez a distância... talvez a falta de respostas
Ou talvez por eu ter expressado o que não devia
Mas não vou dizer que estou arrependido
Assim como você não vai dizer que gostou
Acho que existem certos erros na vida
Que se tivéssemos a chance de corrigi-los
Ainda assim nós os cometeríamos novamente
Existem momentos na vida que apesar de simples
Fazem parte da nossa história e completam o sentido da existência
E para mim tudo na vida são caprichos
Exceto as necessidades físicas e você, minha necessidade sentimental
No CD que ouço Djavan me dá razão
Por você "esqueço que amar é quase uma dor"
Começo a pensar que tudo foi um equivoco
Que não deveria ter exposto meus sentimentos
De repente acho que você não deveria saber, mas de tanto pensar, percebo
Que direitos e deveres apesar de paralelos são divergentes
E que apenas o amor se encaixa em ambos os quesitos
Você tem o direito de amar; e o dever de aceitar ser amada
Quer seja pela pessoa certa; quer seja pela pessoa errada
Quem julga se é bom ou ruim é seu coração
Pra ser sincero não espero retorno, isso nunca foi um investimento
Um verdadeiro poeta nunca espera obter lucro sentimentais
Eu escrevo por sentir doer... as vezes só mesmo por escrever
Tenho minhas razões para cada palavra que te escrevi
Só não sei se escrevi as palavras certas para a pessoa errada
Ou se foi as palavras erradas para a pessoa certa
E isso me deixa confuso, insatisfeito... mas nada preocupante
Pois resistir a tua ausência é fácil, apenas uma questão de adaptação
Assim como alguém se adapta a falta de um órgão do corpo que foi amputado
É possível viver sem uma perna, um braço, um amor
Amo assim porque no fundo me sinto bem
Ou talvez por não saber onde são os limites
Vivo por saber que sempre te encontrarei sobrevivente na minha derme
E que você sempre estará aqui
Mesmo que não seja fisicamente... apenas... me basta
(.........................................)
Estou desesperadamente procurando coisas sinceras e interessantes para escrever
Mas acho que gastei o tempo e o tempo me gastou
Estou indo embora com um pouco de remorso e muita saudade
Ainda tenho algo mais para falar
Mas vou me calar e deixar que
Os passos mudos das minhas reticências
Falem bem mais do que você possa entender.
Izau Melo
Diário de um coração partido - capítulo 1
05:34:00
Izau Melo †
